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Recentemente estive na SP Arte, como costumo ir todo ano. Dessa vez, algo me chamou atenção especial. A quantidade de seios retratados em obras de arte. Peitos de madeira, em esculturas, pinturas, submersos na água ou moldados em vidro. Era toda uma geração de peitos de artistas contemporâneos com trabalhos recentes, alguns brasileiros, outros não.

Poucos dias depois, estive no SPFW onde mais uma vez Ronaldo Fraga gerou polêmica em seu desfile-panfleto, com modelos entre 18 e 80 anos, todas com seios de fora.

Peitos não são novidade alguma na arte, tampouco na expressão artística de ícones da moda ou música, como na parceria de Jean Paul Gaultier e Madonna nos anos 90. Mas, nos dias de hoje, onde redes sociais censuram fotos de mães amamentando e cabines públicas especiais são criadas para que o ato de amamentar fique mais privado, me pergunto se não estamos vivendo uma onda de transgressão pelo peito.

Após o movimento feminista dos anos 60, onde o símbolo mor foi a queima de sutiãs em praça pública, vivenciamos agora um novo feminismo. São questionamentos antigos de um sexismo desmedido onde o machismo – apesar de algumas conquistas – ainda impera nos dias de hoje.

Não é mais o papo de direitos iguais, ainda que estatisticamente os homens sejam mais bem remunerados pelos mesmos cargos que a maioria das mulheres nas empresas. Mas é algo que clama por uma sacudida no universo dos homens, pedindo respeito, apoio e, sim, um pouco mais de empatia pelo sexo oposto. O homem comum que se der ao trabalho de – um dia que seja – se colocar no lugar da mulher, e viver suas 24 horas, talvez comece a rever o seu papel na sociedade e o quanto pode contribuir para um mundo mais igualitário e menos preconceituoso.

Acontece que não só eles não se colocam nesse papel, como também as mulheres sentem vergonha por levantar essa bandeira. Elas deveriam, sim, lutar por mais direitos. Mas em função das diferenças que possuem e não tentando mostrar – a todo custo –  o quão competitivas e eficientes podem ser, a despeito da carga tripla que exercem em silêncio, da reunião que não cancelam – ainda que com uma forte cólica – ou da saída mais cedo do trabalho para fugir do trânsito e prover, com alguma tranquilidade, a última mamada do dia para o filho.

Uma nova revolução de gênero (e não mais sexista) já está acontecendo debaixo dos nossos olhos, mas os homens precisam entender que não é mais preciso “colocar o pau na mesa” para viverem lado a lado, e de forma mais harmônica, com nossas “mulheres de peito”.

 

*Fabiana Gabriel é jornalista com pós-graduação em Marketing,  levanta a voz contra o preconceito machista, mas torce mesmo para que homens e mulheres possam, enfim, dialogar em paz, no mesmo tom.

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